segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PEQUENAS COISAS

Se estivermos atentos a muitos estímulos, somos bombardeados pelas mais variadíssimas situações, ao longo de apenas um dia. O mundo gira e corre cada vez mais a uma velocidade alucinante! Mesmo em momentos que pretendemos descontraír, tentando hibernar do mundo, a informação está sempre presente nos mais singelos locais e entra por nós dentro sem pedir, porque vivemos num mundo global e nem sempre nos conseguimos isolar para repôr energias.
No fundo, somos produto do mundo, que curiosamente vamos construíndo. Questionar o que valemos como produto, ou o que vale o mundo que temos construído, parece-me discutível, e condicionado à medida de cada um. Em consequência desta espécie de relatividade, os nossos estados de espírito, também são fruto da visão que vamos tendo das coisas e da dimensão que lhes damos.
Hoje por exemplo, estava um dia frio, chuvoso, a crise económica adensa-se, ergue-se e toca a todos, (toca-nos sem dúvida a nós também); os valores estão claramente em decadência; a injustiça generaliza-se, e a desmotivação individual impõe-se como forma mais vulgar de reagir às intempéries. Hoje não havia, portanto, nada de especial a celebrar, mas eu e o meu amor saboreamos o dia, como se vivessemos noutro mundo! Mas não, não pertencemos a nenhuma galáxia distante - convivemos é com um filho muito especial - que tem sido o "professor" que nos tem ensinado a valorizar as coisas mais simples da vida e por isso mesmo, a viver muitos pequeninos momentos felizes.

Este que a seguir vos deixo, por me parecer digno de partilhar, registeí-o no maravilhoso jardim da Gulbenkian, na expectativa de que o apreciem e acima de tudo porque acho que a felicidade se faz de coisas pequenas.

ALGO DIFERENTE PARA OUVIR

Porque gosto de sons fortes, e vibrantes...

sábado, 30 de outubro de 2010

ESCOTEIROS (Continuação)


... Quase uma hora da manhã e ainda não se dorme cá por casa. Os telemóveis estão à mão e o pensamento voa, tentando imaginar como terá adormecido o nosso menino, sem os nossos abraços, sem os beijos e as conversas de final de dia. Mas a verdade é que o telemóvel não tocou, o que quer dizer que ele adormeceu bem, sem nós.
Estamos apenas os 2 - o Vasco foi passar a noite no "abrigo" dos escoteiros, com os companheiros do seu grupo!
Ia carregado: saco cama; 1 muda de roupa; meias, boxers, alimentos para o pequeno almoço e ... um dos seus panos (tipo fralda) para aconchegar à cara antes de adormecer. Não há noite que passe sem este elemento, pelo que o coloqueí na sua mochila, mesmo sem que fizesse parte da lista de coisas a preparar. (Coisas de mãe - podia fazer-lhe falta caso se sentisse mais inseguro).
Ficou, por entre risos e brincadeiras, com os outros meninos e por momentos senti que levitámos... Antes, observeí como se divertiam juntos, como corriam para se esconder no jogo das escondidas, como se colavam uns aos outros no jogo da cobra pegajosa, e como formavam filas alinhadas, perante o olhar atento da chefe do grupo, que os dirigia como numa pequena orquestra - Formatura executada com sucesso. E o nosso menino estava lá!
Deixamos o local com a certeza de que se iam divertir muito e com o peito cheio de alegria e esperança, porque afinal de contas as portas se vão abrindo lentamente. Este pequeno acontecimento, tem a dimensão de uma vitória tremenda para nós, que não seria possivel sem que do outro lado houvesse vontade...
São estas as oportunidades porque luto, mas ninguém pode lutar de portas fechadas! Por isso, e pelo que significa esta noite, o meu eterno e profundo agradecimento ao Grupo de Escoteiros de Vialonga, às chefes da Alcateia, aos meninos que integram o grupo e seus pais.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SUBINDO DEGRAUS


- Atender cada vez melhor o telefone de casa;
- Lavar sózinho os dentes;
- Escrever e ler cada vez mais e melhor;
- Fazer contas de até 3 dígitos em máquina de calcular;
- Lavar a loiça;
- Jogar "Sonic" no computador (muito melhor que a mãe e o pai);
- Andar nos escoteiros;
... e tantas outras conquistas!!!

Eis algumas das conquistas deste meu grande heroi - o Vasco - que me fazem sonhar e ter momentos de felicidade dificeis de conseguir explicar!
Talvez tudo se torne mais claro, se vos disser que não há muitos anos atrás - (talvez há uns 5), ouvi da boca de uma conceituada médica especialista a seguinte frase:
"Ele poderá nunca vir a dizer uma palavra".

Podia e muitos há que não chegam efectivamente a subir esse degrau, mas na minha modesta opinião, não se deviam confrontar os pais com tal verídito antes do tempo!
Será que equacionam o impacto deste prognóstico nos pais? De que vale sobrecarregar-nos com esta sentença de quase "morte"? Que beneficios trás à criança e sua familia pensar que o pior pode acontecer, quando o futuro também pode vir a revelar-se melhor?
Perguntas, para as quais dispenso respostas. Não olho por muito tempo para trás... O nosso caminho é em frente, esperando sempre o melhor, consciente de que ser autista não é lá grande ponto de partida, numa sociedade ainda em desenvolvimento de mentalidades, com falta de recursos, de dinheiro e de vontades... mas se até aqui temos conseguido viver momentos felizes, porquê não acreditar que assim prosseguiremos? Percalços, sempre existem em todos os caminhos, importa não os vivermos antecipadamente, porque eles já pesam bastante quando chegam!

Petição ‘O que queremos é viver’ – Movimento Vida Independente em Portugal

Pretendo Assinar a Petição ‘O que queremos é viver’ – Movimento Vida Independente em Portugal

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

STING (FRAGILIDAD)

SEM COMENTÁRIOS...


sábado, 9 de outubro de 2010

VER COMO OS TEUS OLHOS VÊEM...



Ultimamente o Vasco mostra um interesse extremo em fotografia. Diz que ele é que é o fotógrafo e sob os mais variadíssimos ângulos e interesses, lá vai debitando fotografias do meu telémovel, com grande prazer. O dito aparelho, é felizmente de uma resistência incalculável suportanto uma ou outra queda ou tiragem de foto mais efusiva e entusiástica, sem ceder. De inicio ainda lamentáva a sua sorte e chegueí a dar-lhe pouco tempo de "vida", mas este telémovel deve ser mesmo bom e nos ultimos tempos é um companheiro inseparável do meu filho. Com o tempo fui espreitando o seu trabalho fotográfico e comeceí a reparar que tinha arte... Consegui em cada foto, perceber um pouco da forma de ver as coisas, do meu menino. Ver como os seus olhos vêm e surpreender-me em cada momento. Talvez sejam os meus olhos de mãe a valorizar algo que poucos conseguirão ver, mas para mim desenha-se um futuro artístico de valor. Nem que sejamos (eu e o pai), os seus únicos fãns e os maiores reconhecedores da sua arte.
Hoje e após talvez mais de 4.000 fotos, equacionamos oferecer-lhe um telémovel ou uma máquina fotográfica digital - dar-lhe asas à imaginação e abrir novas portas no caminho dos nossos mais simples sonhos de pais.
(Deixo-vos um slide-show com algumas das suas melhores fotos)
 
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