quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA


... Hoje senti que devo ser muito exigente nas minhas ambições.

Acheí que este dia viesse a ser celebrado de forma mais vísível... que lhe dessem mais importância, especialmente nos media. Compreí jornais e vi televisão, mas nada de muito significativo li, que marcasse este dia, a não ser a possibilidade de andar de comboio gratuitamente, aos deficientes que o comprovem com documento próprio... Sabe-me a pouco e não quero alongar-me comentando a atenção da CP, porque alguma revolta começa a invadir o meu pensamento nesta altura... o que não é grato para com a "gentileza" da CP.

Sentimentos à parte, este é um dia importante porque é suposto - pelo menos nestes dias - destapar-se um pouco mais o véu que abafa muitas vezes a diferença, atrasando a sua caminhada positiva rumo a uma sociedade menos ignorante e mais justa.
Podem até dizer-me que já se conseguiu muito, ao que eu nem sequer contesto: concerteza que sim, mas em que posição estamos nesta matéria em termos práticos de vida dos cidadãos deficientes e suas familias? E para onde é que se pretende caminhar?
Sinto tudo "pouco"... os progressos parecem-me lentos. Persistem com alguma relevância, a indiferença e a intolerância social; faltam respostas de acompanhamento multidisciplinar sólidas, faltam respostas que equacionem todo um percurso desde a nascença até ao fim da vida das pessoas com deficiencia... faltam apoios de quase toda a espécie. Julgo mesmo, que nem sequer existe um estudo global, concreto e fidedigno que permita quantificar a deficiencia em numeros, por zonas e necessidades, afim de se poder inclusivamente fazer face às mesmas, com coerência e sem as falhas que se verificam.
Penso portanto, que é preciso muito mais...

Não queria ler mais notícias como a que li, infelizmente hoje, sobre uma mãe (médica -Hosp. Stª.Mª.) de uma menina com paralesia cerebral, que se fechou em casa enchendo-se e à filha com medicação, que pensou lhes retiraría a vida e o sofrimento em que provavelmente estavam as duas a viver, solitáriamente! Tenho receio até de imaginar outras mães que porventura lidam com a mesma batalha diáriamente, possam rever-se no problema, pensando na mesma resposta como solução!

Perdoem-me a exigência... mas esperava mais neste dia, espero mais todos os dias e luto por mais conforme posso, mas também cada vez vou podendo menos...
Perdoem-me as exigências mas é natural de quem também sente estas coisas na pele.

1 comentário:

Fê-blue bird disse...

Estou solidária consigo e com tudo o que disse, infelizmente só quem vive e luta diariamente com qualquer tipo de deficiência sabe o sentido profundo das suas palavras.
Tanto dinheiro que se gasta neste país com estudos e projectos que nunca chegamos a ver e a perceber e não há nunca apoio para as instituições e famílias dos deficientes.
Amiga, este dia não é mediático, pois bem sabemos do que vivem e do que falam os
órgãos de comunicação. É o país que temos e que infelizmente nos vai desgastando a todos.
Um beijinho e força!

 
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