quarta-feira, 10 de março de 2010

À DERIVA...


"A violencia aceita-se nos mais jovens como natural", porque desde logo a aceitam os adultos.
A propósito do bullying - (muito falado recentemente) - ouvimos de adultos responsáveis, dizer que sempre houve e que faz parte da idade; ou pior ainda, outros dizem que desconhecem e que não existe! E assim, a violencia cresce, alastra-se e toma proporções graves.
A responsabilidade maior, é sempre sem duvida dos pais, que para além desta (responsabilidade), devem ter também o especial interesse em fazer dos seus filhos, seres evoluídos e felizes. Não se podem, no entanto, imiscuir da responsabilidade, as escolas e os agentes educativos. As sociedades mudam, e actualmente as crianças passam grande parte do dia nas escolas - é um facto e não há argumentos que o alterem. Poderíam alterar-se costumes e paradigmas sociais, mas não o vislumbro a curto espaço de tempo, pelo contrário, se considerar-mos os modelos sociais do capitalismo e etç.
Assim há é que responder a estas situações com eficacia, em vez de se atirarem as culpas só para os pais, ou só para a escolas. Há que responder aos factos reais, ao que temos em mãos, de preferencia com a necessária dedicação de ambas as partes que são preponderantes no crescimento e formação das crianças - e por conseguinte, pela construção de um futuro que se deseja melhor. Ser pais não se resume apenas a ter filhos, comprar-lhes tudo, dizer-lhes sempre que sim... bem como trabalhar numa escola, também não se resume apenas a debitar um programa curricular, ou às limpezas de salas e tiragem de fotócópias... a escola é uma preparação para a vida em todas as suas facetas, pelo que a responsabilidade tem que ser repartida, sob pena de que aquilo que uma destas partes ensine e transmita, possa ser destruído pelo que a outra parte não faz. E no fundo todos nos vamos é queixando muito da falta de apoios e de outras faltas, esquecendo-nos que a falta maior reside - quem sabe em cada um de nós - naquilo que não fazemos ou fazemos mal!

Se cada um de nós - tanto na sociedade como na vida, desempenhasse de forma dedicada e séria os seus papeis, as coisas talvez não estivessem tão à deriva!

13 comentários:

filipa disse...

Concordo plenamente com tudo o ke disseste , sabes bem, não tenho nada a acrescentar nem a corrigir. Faço das tuas palavras as minhas.

Fê-blue bird disse...

Certíssimo, passa por todos nós eliminar de vez com o poder instalado e acomodado em todas as vertentes sociais.
A escola devia ser o dever primeiro de todos , a começar pelos governantes.
Já andamos a adiar à tempo demais...e depois admiram-se que acontecem coisas destas.
Eu voto a favor de tudo o que disse!
Um beijinho

susana lopes disse...

O problema é a falta de valores que se instalou na nossa sociedade. Os valores e a moral não são ensinados às nossas crianças... nem em casa, muito menos nas escolas.

O pior de tudo é que a crise de valores chegou aos meios de comunicação social, ao nosso governo, aos "adultos" deste país.

Se os adultos se portam como portam... só podemos esperar que as nossas crianças se comportem da mesma maneira.

[a atitude - ou falta dela - da associação de pais e da escola do menino de Mirandela é, infelizmente, a imagem pura e dura deste país...]

Um beijinho para si e para o seu pitoco...

rosa disse...

Infelismente , estou muito decepcionada com o acolhimento que as escolas deram ao meu filho, como tu sabes.A indiferença em relação as minhas queixas, o meu filho não e mal educado,os adultos esses muitas e muitas vezes foram mal educados para ele,se eu disse-se tudo o que me vai no coração seriam chocantes por isso vale mais tar calada, amo muito as crianças amo demais e triste ver tantos sofrerem, enquanto os adultos viram a cara,na minha vida o que eu vivi deixou-me marcada, deixou-me incapaz de confiar o meu bem mais precioso nas maos de nunhum professor.Peço desculpa aos bons,não tive sorte de emcontrar nenhum

Victor Cardoso disse...

Temo que as nossas crianças saibam ler, escrever, contar...mas será que lhes ensinam a sentir?

Mina disse...

É um tema muito pretinente e a cada dia mais dificíl de solucionar, muitos jovens são vetados ao abandono e vivem num terra ninguém podem ter a última geração de telemóvel, mas não tem os valores morais e da cidadania, há dias no coloquio com o Dr Daniel Sampaio abordou o assunto que antes os pais eram autoritários os jovens precisam de regras.
Hoje em dia há uma grande permissividade, a falta de tempo que os pais têm ou apenas a falta de qualidade desse tempo, leva a que os jovens ás vezes sejam influenciados por grupos.
Em poucas gerações podemos constatar, as alterações reais que a sociedade sofreu, hoje em dia quase que são os filhos os autoritários e que fazem pressão, nesta sociedade consumo, onde poucos são os jovens que tem objectivos concretos e estimulos para o futuro...
Ficaria por aqui a fugir a toda esta problemática, mas o essencial é que nada justifica a agressão fisica ou verbal, que agora até já se distingue do bullying.
Não se deviam preocupar tanto com a semântica , mas mais com as atitudes. Enfim!...
Bjos

*Lisa_B* disse...

Querida Cris,
como sabe fui acusada pela escola onde o meu filho vitima de bullying chegou a intenção suicída.
Felizmente descobri a intenção no dia e hora a que se propunha fazê-lo em silêncio...traído por um beijo e salvo pelo mesmo que não me passou ao lado(tal raridade em ser espontâneo nestes contactos).

A escola que nada fez durante anos instaurou-me junto da Protecção de menores um processo :-) andei em tribunais até há dias...processo arquivado dia 9 deste mês.

Olho para o meu lado e tenho o meu filho...fico triste que outras mães ou pais não tenham conseguido ler, interpretar, ajudar e salvar os seus filhos.

Fui chamada de muitos nomes mas nada temi e fui em frente...deixei para o lado quem tive de deixar que não me compreendia e segui ajudando e lutando tão sozinha que doía mas...quanto não terá doído na sua alma pura tudo quanto lhe fizeram durante anos a fio com o conhecimento de todos que ali estavam desde professores, colegas pais e C.Executivo?

Todos foram cúmplices e eu incluída mesmo que revoltada ...ali o entregava numa escola, depois outra e mais outra...tudo igual...piorando conforme a idade avançava e o grau de refinamento de maldade se aperfeiçoava naquelas mentes diabólicas.

Hoje andamos a recolar os "cacos" que nos deixaram e tentamos avançar com alguns progressos à procura de paz...sobretudo encontrar a paz perdida algures entre quatro paredes.

Lamento os Leandros que não tiveram hipótese de serem ouvidos no seu grito quase silencioso...

Beijinhos com carinho

Sandra disse...

Acho que o que descreves tem a ver com uma crise que existe a nivel dos valores éticos e morais, com as mudanças de comportamento que têm vindo a ocorrer ao longo do tempo. Esta degradação, penso eu, também vai impedindo os Homens de realizarem um trajecto e uma vida feliz.

A violência, a injustiça humana, a "negação" de trabalho, saúde ou educação... são contradições com que temos que ir lidando. A escola, para além da familia, devia ser o espaço perfeito para se procurar qualidade na relação entre os Homens. As escolas deviam ser "companheiras" dos pais no desafio de pensar o presente e construir um melhor futuro.
É tudo tão complexo...

Um abraço e um beijo especial para outra mãe deste blog, a Lisa_B. Que o sol lhe sorria sempre a si e ao seu filho.

Vera Y. Silva disse...

Não tive tempo de ler todos os comentários, por isso não sei se esta questão não terá sido já colocada:

Mas não se deve responsabilizar (de modo proporcionado à idade, às características pessoais e à gravidade da falta)também as crianças e os jovens que fazem bullying?

Desresponsabilizá-los (falando apenas das culpas dos pais e das instituições) será justo e, mais, será bom para eles? E será eficaz em termos de prevenção?

Atena disse...

Olá Vera, (obrigada pelo comentario e pela visita):)
É muito correcta essa questão... E não tenho duvidas que os que praticam a violencia, têm que ser responsabilizados, (sem duvida), independentemente da idade (e sempre de acordo com ela). Não falo directamente disso nesta minha postagem, porque de certa forma está implicito quando falo nos pais e professores, porque as medidas que ambos têm de aplicar perante estes casos - são da sua competencia - (a forma como se vão responsabilizar os que praticam bullying).
A parte que aqui saliento é mais direccionada para uma espécie de prevenção destes casos, através de um bom acompanhamento e uma boa formação que devia ser prestada às crianças. Quem sabe não se evitariam tantos casos e pior de tudo a sua banalização.
Um abraço e até breve
Cristina

nedav disse...

Realmente bullying sempre houve...Mas a forma como se lida com ele é completamente diferente...A Escola de hoje está completamente perdida...Os professores mais preocupados com a avaliação...os pais mais preocupados com o trabalho...a nossa sociedade girou a 360º e para o lado errado...Felizmente há excepções e juntos poderemos fazer algo...Apesar de ainda me dizerem que sou novo, que não sei o que digo, que não sei o que faço, não desistirei porque acredito nos meus meninos e nas suas famílias...Por mais "tombos" que dê levanto-me e recomeço com o dobro da força...

Abraço

Helga disse...

Olá Atena, desculpe pela intromissão, mas cheguei aqui através do blog da Susana Lopes e confesso que fiquei fan dos dois. Esse assunto que levanta e muito bem, como mãe só posso sentir uma coisa... revolta! Tenho um filho com 12 anos, que só porque é um pouco mais gordinho que a maioria das crianças, é alvo de descriminação, não apenas por parte dos colegas, mas também de alguns professores.

Retirou-se recentemente o poder aos professores de disciplinarem os alunos, porque os psicólogos instituíram o abuso de poder. Os pais (os mais negligentes claro) aproveitaram essa deixa, para responsabilizar os professores por qualquer acto que pudesse levar ao 'trauma' do menino. Por sua vez, os professores aproveitaram ainda mais essa deixa, para não fazer a parte que lhes compete, pois não concordo com o estigma que a educação é feita apenas em casa. Concordo com um conjunto de medidas que têm que ser aplicadas por ambas as partes.

Eu ensino os meus filhos a respeitar os outros, inclusive a respeitar os professores, mas os professores (pelos menos os do meu filho), contrariam isso tudo e chamam-lhe múmia, etc, etc. Se houver aqui algum professor, desde já as minhas desculpas por generalizar, mas falo apenas pela minha experiência e pela forma como os professores que conheço, desistiram de o ser muito antes de o serem. Também não podemos esquecer os pais, que muitos deles incentivam os filhos a responder e muitas vezes a bater nos professores, porque estes não mandam nos filhos deles, isto quando não são eles próprios que intervêm.

Honestamente não sei que medidas se poderão aplicar para resolver uma questão que é claramente da responsabilidade de todos, mas talvez castigar os responsáveis por abuso continuado dos mais pequenos fosse o primeiro passo. Estamos a falar de crianças com 13 e 14 anos, que sabem perfeitamente distinguir o bem do mal e o certo do errado.

Um beijinho :)

samnio disse...

Não posso estar mais de acordo com o que escreveu.Quando muitos vêm descartar as responsabilidades nas Escolas, esquecem claramente que as escolas não são mais do que o prolongar da sociedade. Por uma série de motivos, não me queria estar a alongar muito sobre o assunto, agora uma coisa eu sei, ou quem manda percebe o que está a acontecer a Portugal, ou, garanto e sei do que estou a falar, Portugal terá o seu futuro completamente hipotecado.
um abraço.

 
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