segunda-feira, 12 de julho de 2010

DE FÉRIAS DA ESCOLA


As férias do Vasco prosseguem. Ele, claro, está radiante da vida. Ainda que eu perceba que tem saudades da escola e dos colegas, professores e auxiliares. Fala imenso neles, pede-me para escrever coisas sobre a escola, fazer desenhos da sala de aula e faz comentários que entendo como perguntas. Por casa a vida decorre sem regras muito rígidas, ele é o rei, e essa personagem encaixa-lhe bem, como a todas as crianças, (penso). Eu bem tento impôr-lhe regras, mas parece que ele intuí a minha "fraqueza" e muitas vezes não faz grande caso do que lhe tento impôr. Preciso mostrar-me de facto muito zangada, para ele acatar todas as regras. Tenho que admitir que não consigo fazer melhor... Não consigo ser tão disciplinadora quanto talvez tivesse que ser! Tenho a plena noção que não é boa alternativa as crianças ficarem apenas por casa com as mães, especialmente se forem "fracas" como eu. O Vasco é de facto o meu "Calcanhar de Aquiles"... Nunca lho disse e mostro-me séria quando tem de ser, mas vejo que não lhe provoca grande receio, por assim dizer.
Tenho criado rotinas, uma vez que sei a sua importancia no seu dia a dia. Levantamos e tomamos o pequeno almoço juntos. Arrumamos um pouco as coisas e normalmente vamos os dois às compras, depois brincamos um bocado e ele próprio avisa-me que se aproxima a hora do almoço. Fazemos o almoço - ele sempre "pendurado" (literalmente) em mim, vai-me dando beijinhos, abraços e apertões, como quem me diz que está feliz por estar comigo. Eu também me sinto feliz ao pé do meu menino, mas confesso que sinto que não sou uma "boa companhia" para todas as horas. Por vezes preciso de uns minutos para respirar...
A escola e demais actividades adequadas para eles, são absolutamente fundamentais. Tanto do ponto de vista social, como das aprendizagens. Todos os dias, treinamos algumas das aprendizagens ao de leve - (inclusivé ele pede-me porque assim está habituado), mas não é a mesma coisa. Os contextos são diferentes.
As férias são evidentemente necessárias, mas demasiado grandes para nós - práticamente 3 meses não são compatíveis nem com as vidas profissionais normais, nem com o mais adequado para eles.
As actividades que existem a nivel privado pensadas para estes periodos, são pagas - na maior parte das vezes - a "peso de ouro" e diga-se de passagem, que são poucas para a quantidade de quem as quer e podería pagar. Por outro lado, os ATL's escolares, organizados pelas Associações de pais, nem sempre estão disponíveis para situações de crianças com necessidades especiais... (Na maior parte das vezes, as crianças diferentes não têm lugar nestes espaços). Esta lacuna é um facto e tem de admitir-se sem subterfugios a existencia de uma total despreocupação das Entidades competentes, e até da sociedade civil, quanto a estes casos. Efectivamente, apenas quem sente estas questões mais directamente, sabe avaliar com exactidão aquilo que estou a dizer.
Falo por mim, mas também pelos inumeros casos que sei existirem por este nosso pais, de norte a sul - muitos deles aliás noticiados como situações inaceitáveis, mas que persistem sem grande alteração - apesar da aparente indignação que provocam. Muitas vezes age-se como se não existíssemos, como se não tivessemos as comuns necessidades de todos os pais... pensarão talvez que somos tão diferentes que não temos os mesmos problemas? Temos os mesmos - os de toda a gente - acrescidos de outros, (creio que não é dificil imaginar). A realidade é pois inversa - as nossas necessidades de apoio são por certo maiores, mas poucos parecem querer olhar para isso. Os que olham com mais atenção - (e para eles a minha mais sincera gratidão) - não conseguem contudo ultrapassar com a rapidez necessária, todas as barreiras que também se lhes levantam... mas com calma vamos conseguir - assim o espero.


Por enquanto, e ainda que com algum cansaço, (porque as exigências não são poucas), os dias vão passando e eu vou conseguindo inventar formas de ocupar cada dia de forma positiva... Por enquanto ainda não trabalho, e por incrível que pareça quase rezo para que ele não surja neste momento, porque a verdade é que não sabería que resposta agradável tinha para dar ao meu filho, na minha ausência para ganhar a vida, como toda a gente!

6 comentários:

Celia silva disse...

Olá Mãe do Vasco e Vasco, é lindo ver-vos tão felizes a brincar. Hoje sonhei com a turma toda e era o aniversário do Vasco. E ele estava assim feliz, é aliás a imagem que tenho sempre dele é de felicidade e com uns pais absolutamente dedicados e fantásticos, que faziam falta a todas as crianças ( como o Vasco e não só). Um beijinho muito grande e continuação de boas férias

Fê-blue bird disse...

Eu decidi quando a minha filha nasceu, à 21 anos,deixar de trabalhar, ela precisava de atenção constante o irmão mais velho também, e achei na altura que era a melhor solução.
Tive momentos em que lamentei, pois só um ordenado é difícil de gerir, mas hoje não me arrependo e voltava a fazer o mesmo.
Eram outros tempos eu sei, mas não é por estarmos em casa, que não nos podemos também realizar e ser felizes com o que a vida nos deu.
Não sou de maneira nenhuma um exemplo para ninguém , mas muitas vezes, Deus escreve direito por linhas tortas.
Adorei ver a vossa felicidade e acho que o resto vem por acréscimo.
Um beijinho aos três

Rosa Carioca disse...

Olá, Mãe do Vasco. Concordo com a Fê. Não há melhor companhia do que a de uma Mãe, com M. É claro que não é nada fácil, muito pelo contrário. Mas há uma coisa que não posso, de forma alguma, concordar consigo. Achar-se uma mãe "fraca"??? Olhe bem esse sorriso lindo do Vasco, olhe seus olhos e "ouça" todas as suas manifestações de carinho, de reconhecimento, de amor. Só as Mães Forte é que recebem essas "recompensas".

Em Busca de um Anjo disse...

Pois é amiga, as férias é sempr complicado pois para além das tarefas diarias à que ter mt imaginação para manter as crianças ocupadas:)Mas como sempre consegues dar conta do recado...
Eu tb venho com frequencia espreitar o teu blogue mas tb não tenho tido tempo para escrever (depois pessoalmente conto promenores), mas estou sempre a pensar em vocês!!!
Beijocas

Mina disse...

Aproveitem as férias...
Ninguém melhor que o pai ou a mãe para ocupar de forma ludica e proveitosa os tempos livres destes meninos, que são fontes de energia...
O facto de não estares agora empregada, não te deve fazer sentir frustrada, até podes considera-lo com efeitos terapeuticos para o Vasco, a tua presença mais assídua, e notasse e não apenas nas fotos, a vossa cumplicidade, e dedicação...
E ás vezes vale mais comer uma sopa bem acompanhada, do que um bife, espero que entendas (o que não significa que uma mãe não deva trabalhar) mas seria mais justo se fosse me part-time para poder acompanhar o crescimento e a evolução dos filhos...
Tocas em várias situações que são um flagelo das sociedades modernas onde deixar os filhos nas férias, a mães que trabalham, o desemprego...
Nota as fotos, estão girissimas, também só podia com tais protagonistas...
bjocas

Sandra disse...

Lindos ... os dois! Sei que, por um lado, não deve ser fácil não estares a trabalhar, mas o Vasco ganha tanto em ter-te ali... e agora nas férias... podem fazer programas a dois. E mais uma vez, ele tem um sorrisão feliz!

 
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