domingo, 10 de janeiro de 2010

A VIDA É FEITA DE MUITA COISA


Este blog, apesar de ter uma causa principal, também pretende mostrar que mesmo com uma causa maior no peito, é possivel caberem outras em nós ... Mostrar que mesmo convivendo com o autismo ou qualquer outra problemática num filho, se consegue sobreviver à natural pancada inicial e prosseguir a vida... (Pelo menos assim é desejavel). Felizmente ela é feita de muita coisa... coisas que procuro viver, aproveitar, conhecer. O meu filho é sem duvida a minha motivação maior e mais forte, mas também por ele me vou enchendo um pouco de tudo, para enrriquecer-me como ser humano, proporcionando-nos um "habitat" o mais natural e harmonioso possivel. Entendo que a aceitação e a "normalidade" tem de começar em casa. Não se pode querer uma aceitação de fora, sem que a tenhamos aceitado plenamente nós primeiro (os pais). Sei bem que não é fácil, por variadíssimos motivos, mas é imperativo! Como li num livro recente de Ruppert Isaac: "Devemos amar os filhos que temos" - excusava de dizer-mo a mim porque eu amo o meu filho incondicionalmente e tal qual ele é ou venha a ser!

Depois é ir levando os dias, qual padeira de aljubarrota contra um exercíto muito bem apetrechado mas com uns buraquinhos por onde vamos entrando porque temos uma pá muito rija, e sempre surgem uns bons companheiros de "guerra" que nos ajudam nesta contenda... muitos vão passando até para o nosso lado quando entendem melhor as coisas, outros - os mais importantes - estão mesmo connosco por sensibilidade e porque são na verdade GENTE.
No fundo sempre quis também transmitir que vivemos uma vida como todos - talvez apenas com um "peso" maior - que já tive a oportunidade de explicar, não se dever ao autismo do nosso filho em si, mas sim à forma como a sociedade o encara e lhe responde. De resto cá por casa, não somos extra-terrestes fechados no medonho mundo do Autismo, arrazados, paranoícos, ou frustados, como muita gente pensa erradamente dos pais com filhos "diferentes"...
Digo isto pelos olhares que nos dirigem, pelos comentários que ouvimos, pelas atitudes de afastamento que experimentamos, pela pena que percebemos sentirem de nós - que é bem diferente da solidariedade que nos prestam muitos amigos, por sensibilidade e superior mentalidade.
Claro que necessáriamente precisamos de maior apoio, de compreensão porque isto não é pêra doce... e é importante uma descriminação positiva. Podería tudo ser bem mais fácil, fosse a sociedade mais atenta, amiga, mais fraterna, mais responsável pela construção de um mundo melhor para todos, pensando que para isso é preciso não deixar ninguém de fora - não me refiro só à minha causa principal mas a tantas outras injustiças que proliferam e vão fazendo o mundo sofrer desnecessária e estupidamente! Somos nós que nos prejudicamos uns aos outros, não hajam dúvidas!
Apesar do sinuoso caminho que obviamente percorremos nos trilhos do Autismo, crescemos muito nele e muitas vezes adquirimos uma especial sensibilidade que nos permite a capacidade de olhar para muitos outros lados...

Mas gostaría aqui de deixar claro que apesar do sinuoso caminho, também fazemos aquilo que o comun mortal gosta de fazer: gostamos de ler, de aprender, de ver filmes para rir, e para chorar... gostamos de namorar, de conviver, de actualidade; preocupam-nos as alterações climáticas, a política, o desemprego... Particularmente eu (falo por mim), esforço-me por viver com um pouco de tudo, mesmo que nem sempre consiga as condições para tal, quer práticas (arranjar tempo), quer mentais (ter estofo psíquico para assimilar tanta coisa).
Sobre as práticas,: paciencia, espera-se por outras oportunidades; sobre as mentais: vão-se fazendo umas paragens nas leituras, nas buscas, nos convívios com e sobre Autismo... faz-se um reset de vez em quando para limpar e alíviar um bocadinho a mente e voltar depois à carga, renovada, porque muito terreno há ainda que desbravar.

7 comentários:

Fê-blue bird disse...

Minha amiga:
Aprender com a vida e com o sofrimento, tornar-mo-nos mais humanas e sensíveis ao que nos rodeia, pode crer é só para alguns.
Ficar amarga, descrente, insensível é sempre o caminho mais fácil.
Por isso temos tanta coisa em comum e apesar de haver diferença de idades, revejo-me em si e sei que ainda vai ter muitas batalhas pela frente.
Mas também sei que vai superá-las, a vida para mim tem sido uma luta , confesso que tantas vezes me sinto cansada, mas os filhos, sempre os filhos, dão-nos a motivação primeira e superior para avançar, sempre em frente!
Temos que saber equilibrar os nossos sentimentos e repor as energias conseguidas através de pequenos prazeres, tal como estar aqui agora a escrever e a sentir aquilo que escrevo.
Beijinhos

Ninfa disse...

Os nossos filhos são a luz das nossas vidas. Se um caminho fica negro, lá tão eles a olhar para nós a sorrir, a mostrar-nos a luz!!

Mina disse...

Atena
Estas palavras, poderia muito bem ser as minhas...
Ou não estivessemos ambas no mesmo barco...
Não sei se já leu, mas frase de identificação do nosso blog que é esta:Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger. Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida... Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida... Valorizando os afectos...
Penso que resume este sentimento que aqui refere...
Que o ter um filho diferente autista não implica que sejamos "extra terrestres", eu faço questão de estar em todo lado com ele, olhe quem olhar, vire quem virar a cara, porque ele existe e é um ser humano, não é uma aberração.
E se tivermos de ter vergonha é de alguém que ainda olha a diferença de lado, os nossos filhos são superiores esses olhares e comentários, a nós chocam-nos evidentemente, mas e falo por mim já estou a ficar vacinada.
Embora tenha dias em que, também me sinta incomodada.
Mas parecia me que já houvesse mentes mais abertas,porque aliás nas crianças é muito menos notado.
bjocas

Em Busca de um Anjo disse...

Como sempre as tuas palavras dizem tudo...Infelizmente,na nossa sociedade, tudo o que foge à regra parece ser uma aberração. Apesar da minha luta ser diferente, a infertilidade, tb somos vistos como uns "coitadinhos que nem um filho conseguem ter...". E infelizmente, mesmo as pessoas que passam pela situação da infertilidade não o conseguem assumir e pior, falam da mesma como se fosse a tal aberração... Temos que encarar a vida de frente, viver um dia de cada vez e principalmente sorrir; sorrir para aquilo que a vida nos dá e agradecer tudo isso pois só assim vamos conseguir ser felizes...
Beijos

Maysha disse...

Minha querida eu fico sempre sem palavras quando te leio. Porque tenho filhos e netos, porque sou humana, compreendo e partilho o teu sentir. Gostaria de te dizer tanta coisa Atena, mas digo-te apenas que estou aqui, que te compreendo, e que se precisares tens o meu ombro amigo.

Bem agora vou dar-te um miminho. Um selinho para ti, para ficares contente e porque mereces. Ofereço-te com carinho e acompanhado do meu beijo de luz.
Que tudo corra bem para ti e para o teu menino, um Ser especial que tem muito para nos dar, se estivermos atentos e se tivermos a sensibilidade de o entender.
Para o Vasco um carinho meu.
Isa
Isa

Atena disse...

Minhas queridas e doces amigas, sabe mesmo bem sentir o vosso abraço aqui transformado em palavras. Não consigo agradecer e até penso que não faz sentido, porque tudo o que me transmitem vem revestido de sinceridade, pureza e sentimento. Só quero dizer-vos que tb eu estou aqui para voçes, porque gosto tanto de receber como de dar. Ainda um dia combinamos uma almoçarada das bloguistas mais doces do blogosfera... e depois passamos o almoço a chorar porque isto dos sentimentos tem muito que se lhe diga.
Estou a aligeirar o post para sorrir-mos um bocado a ver se uma lagrimita que tinha aqui à porta vai já para dentro... a malandra.
Obrigado minhas amigas, grande abraço e até breve.
Cristina

Fê-blue bird disse...

Fico à espera desse almoço porque já me considero sua amiga.
Com a lágrima ao canto do olho,
~Fernanda

 
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